terça-feira, 20 de setembro de 2011

Herança do fogo

Crianças escondendo poesias
Armários de fundo falso
Das antigas bibliotecas vazias
Para onde o Rei jamais desceu

D´um castelo paredes frias
Vigiam seu ensandecido tirano
Mães protegiam suas crias
O fogo tomou o que era seu

Dos fundos falsos e suas poesias
Espaços tomados nas mentes vazias
De um modo que o rei percebeu

Paredes frias com o fogo aquecidas
Sombras do amanhã surgiam encolhidas
E a criança tomou do rei o que já era seu.



Renan A. F. J.

(Não escrevia nada assim fazia um tempão, e com a formatação total do meu HD de 1 Tera, eu perdi em torno de 400 projetos de eletrônica-programação, várias musicas da minha banda e da minha autoria, e meus textos e poesias, a excessão de um, que depois postarei também... Resolvi escrever =P)

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A criança que vive em nós (Com um SOLUCARD)

No ultimo mês eu realizei uma fantasia infantil de todos os amigos que eu conheço. Quem nunca passou pelas prateleiras do mercado com os olhinhos reluzindo com todas as variedades de porcaria alimentícia, doces, salgadinhos e toda variedade de produtos que dificilmente, dependendo da sua mãe, viriam para o carrinho de compras.
Você poderia puxar a barra da saia dela e dizer "eu quero esse e aquele e aquele", mas certamente ela diria "Escolha um filho" sem saber o quanto aquela decisão seria difícil para você, afinal, você queria levar tudo.
Caros amigos, foi EXATAMENTE o que eu fiz com o meu primeiro mês de cartão alimentação, foram três digitos muito bem pagos em todas as porcarias que eu gostaria de ter comprado durante minha infância, na quantidade que eu queria ter comprado... Não tenho palavras pra descrever a sensação de bem estar enquanto a moça do caixa ia passando aquilo tudo no caixa e me olhando perplexa se perguntando que tipo de criatura gastava tanto em "besteiras alimentícias"... Que tipo de cabeludo barbudo ia ao mercado comprar salgadinho, bolacha e nutela ao invés de vodka e aperitivos de buteco? Ah a discriminação... (risos)
Depois de postar as fotos no facebook eu era uma espécie de herói, eu havia realizado o sonho de muitos amigos e colegas, fiz o que muitos deles sempre quiseram fazer. Aqui deixo a sugestão, se um dia a SOLUCARD aparecer na vida de vocês, não exitem! Façam isso uma vez só, em nome de todas as crianças que foram negadas de levar ruffles e baconzitos e cheetos na mesma compra por suas mães, que consideravam um exagero, em nome das crianças que um dia foram. Eu já mencionei que é uma sensação indescritivelmente gostosa e libertadora?

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O oceano prateado


Deixo aqui um texto que escrevi agora mesmo, com idéias surgidas de um banho demorado pensando sobre a forma das pessoas se socializarem, se entenderem e entenderem o mundo...

Minha metáfora de hoje é um oceano de prata, onde a maior parte da humanidade ainda nada desorientada, onde tudo que vêem é seu reflexo distorcido pelas agitadas águas que ondulam por suas próprias braçadas. Ali elas podem ver uma parte do que são e uma parte modificada por seus duros golpes contra a superfície, mas é no fundo desse oceano onde se podem ver todas as coisas.
Os que se aventuram a mergulhar as vezes se perdem de quem são, por deixarem de visualizar o que aparentavam ser, e ao mesmo tempo que agora vêem todas as coisas, eles podem se tornar qualquer coisa, em um lugar onde não ficam presos aos reflexos do que  eram, onde o que você é realmente transcende a idéia que você faz de si mesmo.
Os que permanecem na superfície se encontram, nadam juntos algum tempo, mas não há nada que vejam um no outro que não seja seu próprio reflexo solitário, como um culto do egocentrismo, como um individualismo a dois. Mergulhando se diminui a chance de encontrar um companheiro nesse vasto oceano de nadadores de superfície, mas só assim se pode vê-lo verdadeiramente, uma vez encontrado, além dos reflexos do “eu”.
Talvez a idéia de conhecer alguém verdadeiramente, em sua essência, assuste os que buscam as aparências, e os impeça de mergulhar. Talvez os pobres narcisos tenham se apaixonado por sua própria imagem, e fatalmente o receio de deixar seus mundos particulares onde se vêem refletidos por toda parte, os impedirá de ver todas as partes do mundo.
Todos os dias somos desafiados a escolher entre a solidão temporária ou a ignorância eterna. A solidão de explorar o mundo por si mesmo até encontrar alguém para compartilhar todas as descobertas ou a ignorância de um vasto mundo abaixo do limiar da percepção superficial em troca de nunca estar sozinho, mesmo se sentindo solitário. Houve um dia que eu considero especialmente importante... Sempre sorrio ao me lembrar do dia em que me tornei um mergulhador.