Deixo aqui um texto que escrevi agora mesmo, com idéias surgidas de um banho demorado pensando sobre a forma das pessoas se socializarem, se entenderem e entenderem o mundo...
Minha metáfora de hoje é um oceano de prata, onde a maior parte da humanidade ainda nada desorientada, onde tudo que vêem é seu reflexo distorcido pelas agitadas águas que ondulam por suas próprias braçadas. Ali elas podem ver uma parte do que são e uma parte modificada por seus duros golpes contra a superfície, mas é no fundo desse oceano onde se podem ver todas as coisas.
Os que se aventuram a mergulhar as vezes se perdem de quem são, por deixarem de visualizar o que aparentavam ser, e ao mesmo tempo que agora vêem todas as coisas, eles podem se tornar qualquer coisa, em um lugar onde não ficam presos aos reflexos do que eram, onde o que você é realmente transcende a idéia que você faz de si mesmo.
Os que permanecem na superfície se encontram, nadam juntos algum tempo, mas não há nada que vejam um no outro que não seja seu próprio reflexo solitário, como um culto do egocentrismo, como um individualismo a dois. Mergulhando se diminui a chance de encontrar um companheiro nesse vasto oceano de nadadores de superfície, mas só assim se pode vê-lo verdadeiramente, uma vez encontrado, além dos reflexos do “eu”.
Talvez a idéia de conhecer alguém verdadeiramente, em sua essência, assuste os que buscam as aparências, e os impeça de mergulhar. Talvez os pobres narcisos tenham se apaixonado por sua própria imagem, e fatalmente o receio de deixar seus mundos particulares onde se vêem refletidos por toda parte, os impedirá de ver todas as partes do mundo.
Todos os dias somos desafiados a escolher entre a solidão temporária ou a ignorância eterna. A solidão de explorar o mundo por si mesmo até encontrar alguém para compartilhar todas as descobertas ou a ignorância de um vasto mundo abaixo do limiar da percepção superficial em troca de nunca estar sozinho, mesmo se sentindo solitário. Houve um dia que eu considero especialmente importante... Sempre sorrio ao me lembrar do dia em que me tornei um mergulhador.
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