Não existe real altruísmo.
Reclinada sobre a minha figura
Mão repousada sobre a fronte
Medindo a minha temperatura
Remédio e palavras de otimismo
Delirando e tão alto à essa altura
Minha doença talvez seja fonte
Do seu processo de cura
Por mim ela morre de amores
Jamais permite que se queixe
Nunca me perde de vista
Lágrimas, súplicas e tremores
"Por favor não me deixe"
Você é tão egoísta...
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Cretino
- Meus parabéns, você acaba de se tornar um cretino!
- E qual o próximo passo?
- Agora você faz as pessoas precisarem de você, mesmo que elas te detestem elas serão obrigadas a admitir que você é o melhor cretino no ramo.
- E qual o próximo passo?
- Agora você faz as pessoas precisarem de você, mesmo que elas te detestem elas serão obrigadas a admitir que você é o melhor cretino no ramo.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Relevância
- Você deve entender que nos inúmeros universos possíveis durante toda a eternidade você ocupa uma alocação ínfima de espaço e tempo. Você não é nada e não significa nada para esse sistema por mais célebre que você se torne e por maiores que sejam seus feitos para a posteridade, a posteridade é nada perto de tudo o que já houve e tudo o que há por vir.
- E se eu encontrar alguém para quem eu seja importante?
- Então você deve dizer à essa pessoa: "Em inúmeros universos possíveis pela eternidade, é uma honra e um prazer dividir uma época e um lugar com você."
- E se eu encontrar alguém para quem eu seja importante?
- Então você deve dizer à essa pessoa: "Em inúmeros universos possíveis pela eternidade, é uma honra e um prazer dividir uma época e um lugar com você."
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Palitos
Deus, Gaia, a Aleatoriedade Universal (ou a deidade ou abstração à qual você quiser atribuir tal feito) parece ter dado origem à pilhas de palitos ordenadas e em equilíbrio (como na brincadeira), e presenteado seus criados, sabe? Eles teriam dito "Cuidem como se fosse sua vida!" (e talvez fosse, só de sacanagem). Não se sabe quem começou, mas as pessoas aprenderam com seus antepassados a retirar palitos e realoca-los de maneira a dar novas formas à sua pilha, de maneira que elas fossem diferentes das demais, porém seguindo o objetivo premeditado do jogo de jamais deixar sua pilha ceder.
Seria eu a única pessoa que acha isso tudo muito fodido? Que não tem interesse algum pelo (suposto) objetivo do jogo tomando como referência os (autoproclamados) vencedores? Só eu tenho um fascínio absurdo por qualquer palito que faça a pilha despencar e rolar sobre a minha mesa? As vezes perdendo alguns pelo chão, as vezes encontrando coisas interessantes quando me abaixo para busca-los...
Seja como for, são esses os palitos que têm o poder, a condição de equilíbrio estática é dada por fatores previsíveis, não há como se construir algo verdadeiramente novo sem corromper a sustentação da estrutura. Eu quero que o objetivo se foda, o que eu aprecio verdadeiramente é o movimento.
domingo, 2 de junho de 2013
Criatividade
Há de se reconhecer a diferença entre um devaneio infrutífero e uma inspiração genuina, o talento, a meu ver, reside ai. Dar luz a um arquétipo pacientemente é igualmente vital. Uma idéia nascida de um parto prematuro, franzina e possivelmente deformada exigiria muito mais esforço para tornar-se sua concepção original no etéreo plano das idéias.
terça-feira, 7 de maio de 2013
Espectador
O assento do sofá moldado
Tomou a forma do espectador
Horas incessantes sentado
Com o olhar fixo na tela
Insone, ligeiramente perturbado
Olhos na janela do mundo.
Pressionando em rítmo sincopado
Canais diferentes, mesma notícia
Observando a tragédia afastado
Distâncias seguras geram sorriso
Insone, ligeiramente perturbado
Olhos na janela do mundo.
Solitário para não ser julgado
Inadmissível admitir o interesse
Na tortura e em seu torturado
Vida ceifada em um incêndio
O choro te mantém interessado
Sofrimento é entretenimento
Conte como se sente no microfone
Precisamos que o mundo assista
Há de se confortar um insone
Sua tragédia e a sua entrevista
Uma maior que a minha própria
Um choro que embale meu sono.
Tomou a forma do espectador
Horas incessantes sentado
Com o olhar fixo na tela
Insone, ligeiramente perturbado
Olhos na janela do mundo.
Pressionando em rítmo sincopado
Canais diferentes, mesma notícia
Observando a tragédia afastado
Distâncias seguras geram sorriso
Insone, ligeiramente perturbado
Olhos na janela do mundo.
Solitário para não ser julgado
Inadmissível admitir o interesse
Na tortura e em seu torturado
Vida ceifada em um incêndio
O choro te mantém interessado
Sofrimento é entretenimento
Conte como se sente no microfone
Precisamos que o mundo assista
Há de se confortar um insone
Sua tragédia e a sua entrevista
Uma maior que a minha própria
Um choro que embale meu sono.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Reality Check
Eletricidade... Uma quantidade massiva desta percorrendo todos os nervos do meu corpo durante um espasmo forte que teria me arremessado para fora da cama, não fosse o fato da sua mão delicada repousando sobre meu peito ter drenado essa energia, convertida em um inspirar profundo e dificultoso antes que minha coluna perdesse a capacidade de me sustentar e minha cabeça novamente tocasse o travesseiro, úmido de suor febril.
- Eu não ouço mais a chuva...
- Ela parou já faz algum tempo, Re.
- Quanto tempo?
- Algumas horas... Você teve outro pesadelo? A febre parece não baixar, eu vou pegar mais remédio e um copo d'agua e já volto.
- Fica... Eu ainda não sei onde eu estou ou o que aconteceu, você se importa?
- De quanto você se lembra?
- Não muita coisa, me lembro da chuva... Eu disse ou fiz algo inapropriado?
- Descanse, eu ainda vou estar aqui quando você acordar.
- Sabe, em uma noite de chuva como essa eu saí para acalmar meus pensamentos, três ou quatro anos atrás, e eu nunca tive a sensação de ter voltado para casa. Em um ponto do percurso eu subestimei uma curva e senti a minha consciência adormecer, me recordo do meu reflexo no vidro do carro e do barulho, e então a reta depois da curva, fazendo o caminho de volta... Talvez o fato de eu não ter a lembrança do elo entre esses dois pontos tenha criado essa fantasia de interrupção existencial e início do sonho, como um coma... Mas talvez eu tenha criado tudo o que veio após esse momento, e tudo o que eu vi, ouvi, toquei, cheirei e provei depois disso foi colocado lá pelo meu desejo de ter chego em casa naquela noite.
- Mas eu estou aqui, isso é real de alguma forma para você, certo?
- Você me disse ter sonhado comigo, certo? Se lembra de ter me visto, ouvido e tocado?
- Sim, eu sempre te conto sobre os meus sonhos com você...
- Essas sensações e a versão de mim que você replicou, da maneira como me fez, também são reais de alguma forma. Você só se dá conta de que era a sua mente mimicando a realidade quando acorda no que você julga ser a realidade.
- Soa assustador, mas não posso discordar... Eu posso fazer algo para que você se sinta nessa realidade que você descreve, de alguma forma?
- Você pode cantar para mim, como quando eu adormeço no seu colo.
- Te ajuda com essa sensação ou você só gosta quando eu canto para você?
- As duas coisas, a sua voz me acalma, mas eu não nego que sempre imagino a possibilidade de adormecer aqui e acordar com essa mesma música enquanto você segura a minha mão em um leito de hospital para eu finalmente lhe perguntar quanto tempo realmente se passou desde aquela noite enquanto sedativos fortes me faziam fantasiar um paradigma alternativo.
Era um esforço admirável que você me abraçasse e continuasse cantando mesmo com contrações involuntárias de choro no diafragma, com um fluxo de ar conturbado, suas lágrimas agora somavam à umidade do meu travesseiro enquanto eu refletia sobre o quanto eu fui um idiota em ambos os paradigmas, no primeiro por preocupa-la com meu problema de dissociaçâo e no segundo por ter contado a uma criação da minha mente como a minha mente funciona, inibindo um possível teste de realidade futuro. Três vezes idiota por estar pensando nisso enquanto você me abraça forte em prantos ao invés de conforta-la. É melhor conforta-la agora, uma voz sussurra "vai ficar tudo bem, não se preocupe", e desta vez, ironicamente, é a minha própria.
- Eu não ouço mais a chuva...
- Ela parou já faz algum tempo, Re.
- Quanto tempo?
- Algumas horas... Você teve outro pesadelo? A febre parece não baixar, eu vou pegar mais remédio e um copo d'agua e já volto.
- Fica... Eu ainda não sei onde eu estou ou o que aconteceu, você se importa?
- De quanto você se lembra?
- Não muita coisa, me lembro da chuva... Eu disse ou fiz algo inapropriado?
- Descanse, eu ainda vou estar aqui quando você acordar.
- Sabe, em uma noite de chuva como essa eu saí para acalmar meus pensamentos, três ou quatro anos atrás, e eu nunca tive a sensação de ter voltado para casa. Em um ponto do percurso eu subestimei uma curva e senti a minha consciência adormecer, me recordo do meu reflexo no vidro do carro e do barulho, e então a reta depois da curva, fazendo o caminho de volta... Talvez o fato de eu não ter a lembrança do elo entre esses dois pontos tenha criado essa fantasia de interrupção existencial e início do sonho, como um coma... Mas talvez eu tenha criado tudo o que veio após esse momento, e tudo o que eu vi, ouvi, toquei, cheirei e provei depois disso foi colocado lá pelo meu desejo de ter chego em casa naquela noite.
- Mas eu estou aqui, isso é real de alguma forma para você, certo?
- Você me disse ter sonhado comigo, certo? Se lembra de ter me visto, ouvido e tocado?
- Sim, eu sempre te conto sobre os meus sonhos com você...
- Essas sensações e a versão de mim que você replicou, da maneira como me fez, também são reais de alguma forma. Você só se dá conta de que era a sua mente mimicando a realidade quando acorda no que você julga ser a realidade.
- Soa assustador, mas não posso discordar... Eu posso fazer algo para que você se sinta nessa realidade que você descreve, de alguma forma?
- Você pode cantar para mim, como quando eu adormeço no seu colo.
- Te ajuda com essa sensação ou você só gosta quando eu canto para você?
- As duas coisas, a sua voz me acalma, mas eu não nego que sempre imagino a possibilidade de adormecer aqui e acordar com essa mesma música enquanto você segura a minha mão em um leito de hospital para eu finalmente lhe perguntar quanto tempo realmente se passou desde aquela noite enquanto sedativos fortes me faziam fantasiar um paradigma alternativo.
Era um esforço admirável que você me abraçasse e continuasse cantando mesmo com contrações involuntárias de choro no diafragma, com um fluxo de ar conturbado, suas lágrimas agora somavam à umidade do meu travesseiro enquanto eu refletia sobre o quanto eu fui um idiota em ambos os paradigmas, no primeiro por preocupa-la com meu problema de dissociaçâo e no segundo por ter contado a uma criação da minha mente como a minha mente funciona, inibindo um possível teste de realidade futuro. Três vezes idiota por estar pensando nisso enquanto você me abraça forte em prantos ao invés de conforta-la. É melhor conforta-la agora, uma voz sussurra "vai ficar tudo bem, não se preocupe", e desta vez, ironicamente, é a minha própria.
domingo, 28 de abril de 2013
Hipotermia
Fui eu quem invadiu o seu templo e tomou todas as suas relíquias, de tal forma que você se perdesse do seu colecionismo de eventos passados. Eu só não esperava faze-lo se perder de si, a memória torna-te quem tu és e eu quase obliterei seu significado das coisas.
"Está vazio" você disse com uma tristeza imensurável e digna de pena, "Eu estou aqui, não vai continuar vazio por muito tempo" ela disse sem se dar conta das duas inverdades acidentais em sua sentença proferida em uma tentativa de ao menos confortar o inconsolável. Ela jamais visitaria o seu templo, construído no seu hipocampo, no máximo ela ouviria descrições aproximadas de coisas indescritíveis.
Conduzidos ao nosso inferno astral ambos tremíamos de um frio que não obedecia as leis da termodinâmica terrena, nenhuma fonte de calor ou isolante nos impedia de continuar trêmulos ou combatia a sensação hipotérmica que nos tomava, o algoz e a vítima tão pateticamente padecendo do mesmo efeito. Patético.
sábado, 13 de abril de 2013
Um passeio pela relatividade
Deixo você em casa, você me beija no rosto, agradece, acena e entra, nessa mesma ordem, a mesma figura de linguagem e as mesmas palavas como alguns anos atrás, como nunca mais nesse hiato entre o agora e o antigamente que está se avivando na minha percepção, bate a porta do Civic... Não, hoje eu dirijo um Astra, bate a porta do astra e vai embora, é o que acontece...
A pista está molhada, apesar da chuva já ter cessado, sem vento, a melhor condição para se dirigir e eu estou sozinho, como antigamente! O motor do Astra ronca enquanto a perda de tração faz com que o veículo realize as curvas sempre com os faróis apontados para o centro dela, não para a direção de deslocamento. Freios a tambor atrás, disco na frente, relativamente estável, carro pesado, motor forte, derrapagem fácil com retomada médio-difícil em velocidades superiores a 70Km/h. Sempre repito mentalmente isso quando adentro uma curva, "lembrar é viver", certo?
Finalmente a reta, 5 quarteirões inteiros antes do PARE inevitável de uma rua movimentada, velocidade da via de 40Km/h, recorde pessoal de 118Km/h no marcador digital, distância requerida para frenagem com o chão molhado com freio a disco e sistema ABS do Civic em torno de 20 metros. Certo.
Acelero o Civic por entre os carros estacionados nos cantos até o momento de acionar os freios, quando o faço o Civic desliza por alguns metros... Porque? Meu Deus, eu estou no Astra, eu estou no presente!
Você está lá, sorrindo, como sempre esteve quando algo do tipo acontecia, me esperando? Eu estou prestes a atravessar uma rua movimentada, não há espaço físico para parar o Astra com seu sistema disco/tambor e os pneus não estão nas melhores condições, passo a marcha e acelero, faróis impiedosos ofuscam a minha imperícia enquanto uma buzina grita com a minha imprudência, ambos os veículos ilesos, um condutor surpreso e assustado, o outro apenas confuso.
As lembranças da chuva, da recorrente atividade de levar a garota dos cabelos ruivos encaracolados de volta para casa de madrugada, do percurso, do carro, todas se fundindo ao presente, a ponto de me fazer mentalmente substituir o meu veículo. A garota e o percurso eram o mesmo, poderia isso ter sido o gatilho da quase fatal armadilha que minha mente criou para mim? O carro não era o mesmo, a distância de frenagem nunca poderia ser a mesma, eu poderia nunca ter chego em casa, não fosse você e o seu sorriso estarem me esperando, me trazendo de volta ao presente que os meus devaneios insistem em distorcer, para o meu mal? Para o meu bem?
Observo o portão elétrico da garagem correr atrás de mim, desço do carro e olho para ele mais uma vez. Isso é um Astra, essa é a minha casa. Olho no espelho, ainda sou eu, olho pela janela... A chuva é a mesma, de uma maneira relativa. Eu estou vivo, de uma maneira relativa.
A pista está molhada, apesar da chuva já ter cessado, sem vento, a melhor condição para se dirigir e eu estou sozinho, como antigamente! O motor do Astra ronca enquanto a perda de tração faz com que o veículo realize as curvas sempre com os faróis apontados para o centro dela, não para a direção de deslocamento. Freios a tambor atrás, disco na frente, relativamente estável, carro pesado, motor forte, derrapagem fácil com retomada médio-difícil em velocidades superiores a 70Km/h. Sempre repito mentalmente isso quando adentro uma curva, "lembrar é viver", certo?
Finalmente a reta, 5 quarteirões inteiros antes do PARE inevitável de uma rua movimentada, velocidade da via de 40Km/h, recorde pessoal de 118Km/h no marcador digital, distância requerida para frenagem com o chão molhado com freio a disco e sistema ABS do Civic em torno de 20 metros. Certo.
Acelero o Civic por entre os carros estacionados nos cantos até o momento de acionar os freios, quando o faço o Civic desliza por alguns metros... Porque? Meu Deus, eu estou no Astra, eu estou no presente!
Você está lá, sorrindo, como sempre esteve quando algo do tipo acontecia, me esperando? Eu estou prestes a atravessar uma rua movimentada, não há espaço físico para parar o Astra com seu sistema disco/tambor e os pneus não estão nas melhores condições, passo a marcha e acelero, faróis impiedosos ofuscam a minha imperícia enquanto uma buzina grita com a minha imprudência, ambos os veículos ilesos, um condutor surpreso e assustado, o outro apenas confuso.
As lembranças da chuva, da recorrente atividade de levar a garota dos cabelos ruivos encaracolados de volta para casa de madrugada, do percurso, do carro, todas se fundindo ao presente, a ponto de me fazer mentalmente substituir o meu veículo. A garota e o percurso eram o mesmo, poderia isso ter sido o gatilho da quase fatal armadilha que minha mente criou para mim? O carro não era o mesmo, a distância de frenagem nunca poderia ser a mesma, eu poderia nunca ter chego em casa, não fosse você e o seu sorriso estarem me esperando, me trazendo de volta ao presente que os meus devaneios insistem em distorcer, para o meu mal? Para o meu bem?
Observo o portão elétrico da garagem correr atrás de mim, desço do carro e olho para ele mais uma vez. Isso é um Astra, essa é a minha casa. Olho no espelho, ainda sou eu, olho pela janela... A chuva é a mesma, de uma maneira relativa. Eu estou vivo, de uma maneira relativa.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Patterns, pt1
"Sempre existe um padrão, a aleatoriedade é uma percepção errônea, é a sensação causada por uma tendência estatística não explorada o suficiente."
V.K.
Você sempre conheceu o mecanismo, talvez também não conheça o motivo, mas conhece o mecanismo e o escondeu de mim, ignorando a sua responsabilidade de zelar pela continuidade da minha experiência terrena. Porque esperou eu descobrir para me explicar melhor? Valeria a pena perder seu protegido em troca da compreensão dessa verdade? Eu nunca tive o poder de decisão, certo? Você orquestrou esse encontro e todo o resto para que eu tivesse essa epifania, então é essa a sua maneira de me ajudar e ainda permanecer imparcial com a entropia do meu universo pessoal, sem afetar o equilíbrio da balança.
Sempre existe um padrão, o mecanismo é o padrão, primeiro a imersão ideológica no passado, então os sentidos são ativados pelas memórias, vejo, ouço, cheiro, toco e degusto o passado, consciente de ser uma lembrança. Subitamente o passado se projeta no presente, as lembranças se misturam ao agora e é nesse momento que a minha consciência turva, o passado vivenciado de uma forma contemporânea, tão previsivelmente com reações diferentes as originais se eu apenas notasse que nem tudo era real... Esse é o mecanismo! Esse é o padrão! É a única maneira de me manter impotente perante um agente desconhecido que insiste em findar minha existência, seria um agente interno ou externo? Qual é o seu objetivo? Foda-se o motivo, agora eu compreendo o mecanismo pré-assalto.
Depois do assalto ainda há padrões. A dificuldade em encontrar palavras no meu idioma pátrio para descrever conceitos desde simples, infantis até mais complexos enquanto o significado do vocábulo que eu procuro está claro na minha mente e eu tenho a palavra em inglês na ponta da língua.
A sensação de distorção temporal onde o tempo passa devagar demais e meu ritmo de trabalho biológico e mental está acelerado a um nível que eu poderia beirar a exaustão em alguns minutos de questionamento, escrevo parágrafos inteiros e formulo teorias complexas alternando meu olhar entre o receptáculo de minhas idéias e o relógio, que leva 4 ou 5 ciclos anteriormente descritos para passar um dígito no marcador de minutos.
Diminuição da percepção espacial e ambientação minimalista: O universo se resume a mim, o referido receptáculo e o objeto onde observo as horas, geralmente meu celular, até sair do transe não noto a existência de nada mais, o copo d´agua, a mesa, então o meu quarto, então a minha casa, então o meu bairro, alguns minutos se passam até que eu seja reinserido na imensidão risível desse universo.
Por fim com as energias exauridas eu noto que minha febre subiu e o meu corpo está mais fraco e doente, o desgaste é visível no espelho, minhas olheiras, minha pele em tom pálido, meus lábios descorados, estou visivelmente fadigado, mas não vencido.
Padrões, sempre padrões. Padrões são mecanismos, mecanismos são padrões.
V.K.
Você sempre conheceu o mecanismo, talvez também não conheça o motivo, mas conhece o mecanismo e o escondeu de mim, ignorando a sua responsabilidade de zelar pela continuidade da minha experiência terrena. Porque esperou eu descobrir para me explicar melhor? Valeria a pena perder seu protegido em troca da compreensão dessa verdade? Eu nunca tive o poder de decisão, certo? Você orquestrou esse encontro e todo o resto para que eu tivesse essa epifania, então é essa a sua maneira de me ajudar e ainda permanecer imparcial com a entropia do meu universo pessoal, sem afetar o equilíbrio da balança.
Sempre existe um padrão, o mecanismo é o padrão, primeiro a imersão ideológica no passado, então os sentidos são ativados pelas memórias, vejo, ouço, cheiro, toco e degusto o passado, consciente de ser uma lembrança. Subitamente o passado se projeta no presente, as lembranças se misturam ao agora e é nesse momento que a minha consciência turva, o passado vivenciado de uma forma contemporânea, tão previsivelmente com reações diferentes as originais se eu apenas notasse que nem tudo era real... Esse é o mecanismo! Esse é o padrão! É a única maneira de me manter impotente perante um agente desconhecido que insiste em findar minha existência, seria um agente interno ou externo? Qual é o seu objetivo? Foda-se o motivo, agora eu compreendo o mecanismo pré-assalto.
Depois do assalto ainda há padrões. A dificuldade em encontrar palavras no meu idioma pátrio para descrever conceitos desde simples, infantis até mais complexos enquanto o significado do vocábulo que eu procuro está claro na minha mente e eu tenho a palavra em inglês na ponta da língua.
A sensação de distorção temporal onde o tempo passa devagar demais e meu ritmo de trabalho biológico e mental está acelerado a um nível que eu poderia beirar a exaustão em alguns minutos de questionamento, escrevo parágrafos inteiros e formulo teorias complexas alternando meu olhar entre o receptáculo de minhas idéias e o relógio, que leva 4 ou 5 ciclos anteriormente descritos para passar um dígito no marcador de minutos.
Diminuição da percepção espacial e ambientação minimalista: O universo se resume a mim, o referido receptáculo e o objeto onde observo as horas, geralmente meu celular, até sair do transe não noto a existência de nada mais, o copo d´agua, a mesa, então o meu quarto, então a minha casa, então o meu bairro, alguns minutos se passam até que eu seja reinserido na imensidão risível desse universo.
Por fim com as energias exauridas eu noto que minha febre subiu e o meu corpo está mais fraco e doente, o desgaste é visível no espelho, minhas olheiras, minha pele em tom pálido, meus lábios descorados, estou visivelmente fadigado, mas não vencido.
Padrões, sempre padrões. Padrões são mecanismos, mecanismos são padrões.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
segunda-feira, 25 de março de 2013
Future inc.
Uma tempestade elétrica
paira sobre essa cidade imponente com arranhacéus em aço e
vidro, cada um com uma centena de andares ou mais. Um fluxo
incessante de carros europeus e japoneses igualmente caros, motoristas fitando os
faróis traseiros dos carros logo adiante de maneira desfocada,
talvez por memórias transitando incessantemente em suas
mentes, sinapses trovejando tão forte lá dentro quanto
nas nuvens da metrópole.
- Construímos isso juntos, demos nosso sangue de maneira literal, em todos os exames posteriores aos estragos que a dedicação próxima da obsessão fez em nossos organismos.
- Eu sei...
- E quase chegada a hora de colher os louros, você redefiniu suas prioridades, abandonou o nosso sonho e todos os sacrifícios que fizemos, nosso tempo, nossa saúde...
- Eu não tinha condições de continuar... Eu precisava de mais do que isso...
- Como seu mentor eu estou decepcionado, como seu sócio eu jamais vou perdoa-lo, como seu amigo eu quero que você entenda como é despencar do ponto mais alto de um sonho.
Eu não cai, eu fui empurrado, mas acho que foi assim que ele se sentiu, quebrando a vidraça com as minhas costas e despencando tempo o suficiente para pensar a respeito, ou não pensar em nada, observar os cacos de vidro brilharem refletindo os raios do céu tempestuoso do imponente patrimônio que levantamos juntos e de, forma adequada, destruiríamos juntos.
- Construímos isso juntos, demos nosso sangue de maneira literal, em todos os exames posteriores aos estragos que a dedicação próxima da obsessão fez em nossos organismos.
- Eu sei...
- E quase chegada a hora de colher os louros, você redefiniu suas prioridades, abandonou o nosso sonho e todos os sacrifícios que fizemos, nosso tempo, nossa saúde...
- Eu não tinha condições de continuar... Eu precisava de mais do que isso...
- Como seu mentor eu estou decepcionado, como seu sócio eu jamais vou perdoa-lo, como seu amigo eu quero que você entenda como é despencar do ponto mais alto de um sonho.
Eu não cai, eu fui empurrado, mas acho que foi assim que ele se sentiu, quebrando a vidraça com as minhas costas e despencando tempo o suficiente para pensar a respeito, ou não pensar em nada, observar os cacos de vidro brilharem refletindo os raios do céu tempestuoso do imponente patrimônio que levantamos juntos e de, forma adequada, destruiríamos juntos.
terça-feira, 19 de março de 2013
A expectativa é um fardo...
As vezes você faz algo brilhante, muito além das expectativas, e então isso se torna um fardo. Quando você não alcança mais o patamar anterior você acaba se tornando uma sombra do seu próprio passado, um projeto de vida frustrado, com a credibilidade dos grandes na sua grandeza posta em cheque.
Não sei se hoje sinto mais orgulho das coisas significativas que eu fiz ou vergonha da insignificância atual perante um curriculum invejável de feitos grandiosos... Quando eu tinha 15, 16 anos, apontavam para mim e diziam "Imagine onde ele vai estar aos 20, 22!" e eu sinto decepcionar essas pessoas, alguns amigos, alguns mentores, alguns prodígios e todos que me julgaram errado. Com 21 anos eu não estou estagnado, eu regredi, talvez não tenha suportado a pressão do estilo de vida que eu levava para conseguir render o esperado e além.
Não quero me tornar medíocre, mas não quero retomar um passado que causou mais danos do que eu posso contabilizar, eu sei como termina. Acho que se existe alguma lição aqui é que tudo tem um preço, um limite e uma vida útil em contagem regressiva desde o momento que passa a existir, inclusive nós mesmos.
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